O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou um procedimento para apurar possíveis irregularidades envolvendo os senadores Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao Governo do Amazonas, e Eduardo Braga (MDB), após um evento político realizado no município de Humaitá, distante 591 quilômetros de Manaus. A investigação analisa indícios de abuso de poder político e econômico, além de possível propaganda eleitoral antecipada.
O foco da apuração é um ato promovido no dia 1º de julho, durante o lançamento da pré-candidatura de Felipe Lobo (MDB) ao cargo de deputado estadual. Na mesma ocasião, também houve manifestações de apoio à pré-candidatura de Silas Câmara (Republicanos) para deputado federal.
Segundo o MPE, o evento apresentou características que podem configurar infrações à legislação eleitoral. Entre os pontos investigados estão a utilização de recursos públicos e de estruturas pertencentes ao Estado para favorecer um ato de caráter político, que contou com carreata, outdoors, distribuição de materiais de divulgação e uma estrutura profissional de palco, telão e sistema de som.
De acordo com o promotor de Justiça Weslei Machado, há suspeitas de que os senadores tenham viajado até Humaitá em uma aeronave que teria sido custeada com recursos públicos, hipótese que poderá caracterizar desvio de finalidade caso seja confirmada.
Outro aspecto sob análise é a utilização da quadra da Escola Estadual Patronato Maria Auxiliadora para a realização do evento, situação que pode contrariar as normas que disciplinam o uso de bens públicos em períodos eleitorais.
Durante os discursos, Eduardo Braga afirmou que “Omar Aziz será o próximo governador”. Para o Ministério Público, a declaração poderá ser interpretada como um pedido implícito de voto. Também são analisadas falas direcionadas a adversários políticos, consideradas potencialmente intimidatórias, além de promessas de benefícios feitas a uma associação rural presente no encontro.
O evento teve como principal nome Felipe Lobo, irmão do prefeito de Humaitá, José Cidenei Lobo do Nascimento, conhecido como Dedei Lobo. Ambos também são irmãos de Afonso Lobo, ex-secretário de Estado da Fazenda do Amazonas, preso durante a Operação “Maus Caminhos”, investigação da Polícia Federal que apurou um esquema de desvios de recursos destinados à saúde pública estadual.



